Gênero e Democracia

práticas políticas e comunicativas de mulheres amazônidas no protesto #EleNão

  • Danila Cal Universidade Federal do Pará https://orcid.org/0000-0003-3243-8368
  • Nathália de Sousa Fonseca Universidade da Amazônia
  • Luana de Melo Laboissiere
  • Nathalia Kahwage
Palavras-chave: Mulheres da Amazônia;, Práticas comunicativas, #EleNão

Resumo

Investigamos os sentidos atribuídos ao #EleNão pelas mulheres participantes da mobilização do dia 29/09/2018, em Belém/PA. Analisamos: (a) 40 escritos de cartazes e pinturas corporais para desvelar os sujeitos do protesto e suas reivindicações; e (b) 50 entrevistas com as participantes para compreender motivações, perspectivas sobre democracia e relações com os feminismos. Trabalhamos com a noção de democracia materializada em um “modo de vida” dialogada com visadas feministas do Sul Global sobre a pluralização do sujeito do feminismo. A partir da análise dos cartazes, destacamos a ampliação do sujeito do feminismo e a associação entre as lutas feministas e a posição contrária ao candidato Bolsonaro. Os resultados das entrevistas apontam para a importância da participação popular na democracia e para o entendimento do #EleNão como forma de construção de solidariedade.

Biografia do Autor

Danila Cal, Universidade Federal do Pará

Docente do Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia da Universidade Federal do Pará (PPGCom/UFPA). Doutora em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Líder do Grupo de Pesquisa Comunicação, Política e Amazônia (Compoa).

Nathália de Sousa Fonseca, Universidade da Amazônia

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura da Universidade da Amazônia (PPGCLC/Unama), integrante do Compoa.. Bolsista da CAPES.

Luana de Melo Laboissiere

Mestranda do Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia da Universidade Federal do Pará (PPGCom/UFPA), integrante do Compoa. Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES

Nathalia Kahwage

Jornalista, mestra pelo Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia da Universidade Federal do Pará (PPGCom/UFPA), integrante do Compoa.

Referências

ALLEN, P. The sacred hoop: Recovering the feminine in American Indian traditions. New York: Beacon Press, 1992.
BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2016.
BRAH, A. Diversidade, diferença, diferenciação. cadernos pagu, n. 26, p. 329-376, 2006.
CAL, D. Comunicação e trabalho infantil doméstico: política, poder, resistências. Salvador: UFBA, 2016.
CÂMARA, F.. Mulheres Negras Amazônidas frente à Cidade Morena: o lugar da psicologia, os territórios de resistência. 2017. Tese de Doutorado. Dissertação de Mestrado em Psicologia). Belém: Universidade Federal do Pará.
COCHRANE, K. All the rebel women: The rise of the fourth wave of feminism. Vol. 8. Guardian Books, 2013.
COLLINS, P. Aprendendo com a “outsider within”: a significação sociológica do pensamento feminista negro. Sociedade e Estado, v. 31, n. 1, p. 99-127, 2016.
CRENSHAW, K. Demarginalizing the intersection of race and sex: a black feminist critique of antidiscrimination doctrine, feminist theory, and antiracist politics. Feminism and politics, p. 314-343, 1998.
DAVIS, A. Mulheres, raça e classe. Boitempo Editorial, 2016.
DEWEY, J. Democracia criativa: a tarefa diante de nós (1939). In: FRANCO, Augusto de; POGREBINSCHI, Thamy. Democracia Cooperativa: escritos políticos escolhidos de Jonh Dewey (1927-1939). Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008, p. 129-142.
DIMOND, J. P.; FIESLER, C.; DISALVO, B.; PELC, J.; BRUCKMAN, A. S. Qualitative data collection technologies: A comparison of instant messaging, email, and phone. In: Proceedings of the 17th ACM international conference on Supporting group work. New York: NY. ACM, 2012, p. 277-280. Disponível em <http://jilldimond.com/wp-content/uploads/2010/10/group115-dimond.pdf>. Acesso em: 19 mar. 2020.
EVANS, E.; CHAMBERLAIN, P. Critical Waves: Exploring Feminist Identity, Discourse and Praxis in Western Feminism. Social Movement Studies, 2014, 14, p. 1-14. Disponível em <10.1080/14742837.2014.964199>. Acesso em 09 fev. 2019.
FERES JR, J.; POGREBINSCHI,T. Participação e Deliberação. In: FERES JR, J.; POGREBINSCHI,T. Teoria Política Contemporânea: uma introdução. Rio de Janeiro: Elsevier,
2010, p.143-158.
GAMBLE, S. The Routledge companion to feminism and postfeminism. London: Routledge, 2001.
HONNETH, Axel. Luta por reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais. São Paulo: Ed34, 2003.
KAUFMANN, Katja; PEIL, Corinna. The mobile instant messaging interview (MIMI): Using WhatsApp to enhance self-reporting and explore media usage in situ. Mobile Media & Communication, p. 1-18, 2019. Disponível em <https://journals.sagepub.com/doi/full/10.1177/2050157919852392>. Acesso em: 19 mar. 2020.
LOOMBA, A. et al. Beyond what? An introduction. Postcolonial studies and beyond, v. 29, p. 737-755, 2005.
LORDE, A. The Master’s Tools Will Never Dismantle the Master’s House. Sister Outsider: Essays and Speeches. Ed. Berkeley, CA: Crossing Press. 110-114. 1984.
LUGONES, M. Colonialidad y género. Tabula rasa, n. 9, 2008.
LUGONES, M. Rumo a um feminismo descolonial. Revista Estudos Feministas, v. 22, n. 3, p. 935-952, 2014.
MAIA, R; CAL, D.; HAUBER, G.; OLIVEIRA, O.; ROSSINI, P.; SAMPAIO, R.; GARCÊZ, R. Conversação e deliberação sobre questões sensíveis: um estudo sobre o uso das razões que circulam nos media. Galáxia. Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica, n. 34, mar. 2017. Disponível em:
<https://revistas.pucsp.br/galaxia/article/view/28000/22303>. Acesso em: 07 fev. 2019.
MATOS, M. Inclusão democrática no Brasil contemporâneo: desafio de uma agenda inconclusa. In: MENDONÇA, R.; CUNHA, E. (Orgs). Introdução à teoria democrática: conceitos, histórias, instituições e questões transversais. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2018. P. 263-288.
MATOS, M. Movimento e teoria feminista: é possível reconstruir a teoria feminista a partir do sul global? Revista de Sociologia Política, Curitiba, v. 18, n. 36, p. 67-92, jun. 2010
MENDONCA, R. Dimensões Democráticas nas Jornadas de Junho: reflexões sobre a compreensão de democracia entre manifestantes de 2013. Rev. bras. Ci. Soc., São Paulo, v.
33, n. 98, e339707, 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
69092018000300501&lng=en&nrm=is>. Acesso em: 06 abr. 2019.
MENDONÇA, R.; CUNHA, E. Teorias democráticas: múltiplos olhares sobre um fenômeno em mutação. In: Mendonça, Ricardo Fabrino; Cunha, Eleonora Schettini Martins (Orgs). Introdução à teoria democrática: conceitos, histórias, instituições e questões transversais. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2018. P. 29-47.
MIGNOLO, W. Local histories/global designs: Coloniality, subaltern knowledges, and border thinking. Princeton University Press, 2012.
MIÑOSO, Y. Hacia la construcción de la historia de un (des) encuentro: la razón feminista u la agencia antiracista y decolonial en Abya Yala. Praxis: revista del Departamento de Filosofía, n. 76, p. 1-14, 2017.
MOHANTY, C. Under Western eyes: Feminist scholarship and colonial discourses. Feminist review, v. 30, n. 1, p. 61-88, 1988.
MUNRO, E. Feminism: A Fourth Wave? Political Insight, 4(2), 22–25. 2013.
PINTO, C.. Uma história do feminismo no Brasil. São Paulo: Fundação Perseu Abramo. 2003.
QUIJANO, A. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, E. (org). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latinoamericanas. Colección Sur Sur. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO, 2005, p. 107-130. Disponível em
<https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2591382/mod_resource/content/1/colonialidade_do_s
aber_eurocentrismo_ciencias_sociais.pdf>. Acesso em 10 jun. 2019.
SARMENTO, R. Das sufragistas às ativistas 2.0: Feminismo, Mídia e Política no Brasil (1921 a 2016). Tese (Doutorado em Ciência Política) - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais, 2018.
SPIVAK, G. Pode o subalterno falar?. Editora UFMG, 2010.
Publicado
2020-09-23
Como Citar
Cal, D., Fonseca, N., Laboissiere, L., & Kahwage, N. (2020). Gênero e Democracia. Compolítica, 10(2), 7-42. https://doi.org/https://doi.org/10.21878/compolitica.2020.10.2.365